Apontado como “dono” do Detran, Savi teria colocado cabos eleitorais na EIG

O Deputado estadual Mauro Savi (DEM), preso durante a Operação Bônus, era o “dono” do Detran. A afirmação foi feita pelo delator José Ferreira Gonçalves Neto, dono da EIG Mercados Ltda., em depoimento ao Gaeco, em 27 de março. Na ocasião ele disse que o então presidente do Detran Teodoro Moreira Lopes, o Dóia, “era representande dele (Savi) na autarquia”.

A influência de Savi era tamanha que ele, inclusive, nomeava cabos eleitorais como funcionários da empresa contratada pelo Detran. José Gonçalves relata que muitas vezes pretendia demitir tais funcionários indicados pelo parlamentar, mas era obrigado a mantê-los.

O esquema de lavagem de dinheiro com pagamento de propina é investigada na operação Bereré, que nesta semana teve sua 2ª fase deflagrada pelo Gaeco, por meio da operação Bônus. Além de Savi, estão presos os advogados Paulo Taques (ex-chefe da Casa Civil) e Pedro Zamar Taques, além dos empresários Roque Anildo Reinheimer e Claudemir Pereira dos Santos, e o ex-diretor da EIG Valter José Kobori.

Conforme a investigação, Savi teve participação direta na contratação da empresa que, em troca do contrato com o Estado, realizou “repasses ilegais” ao parlamentar e outros membros da organização criminosa. O Gaeco ainda aponta que no início das tratativas, a EIG repassou R$ 750 mil para a campanha eleitoral do deputado, reeleito à Assembleia em 2010.

A organização criminosa instalada no Detran desde 2009, de acordo com o Gaeco, é formada por três núcleos independentes, mas relacionados. Segundo informações da Gaeco, o esquema de pagamento de propina e lavagem de dinheiro era operado pelos núcleos de liderança, operação e subalterno. O esquema iniciou na gestão do ex-governador Silval Barbosa (sem partido) e, posteriormente, teve continuídade no de Pedro Taques (PSDB), movimentando de forma ilícita cerca de R$ 30 milhões.

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